segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Obrigada MC...

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quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

eu...



eu…
e uma folha em branco que se vai compondo de pedaços de mim...
sem destino indicado, sem rota marcada , sem princípio, sem fim…
num jogo de vida, num jogo de alma, fintando a dor…
em dança de roda, num jogo do lenço, em carta de amor...

e traço o meu mapa… cumprindo um destino… vestindo emoção...
pinto e rascunho o esboço da vida… compondo o meu chão…
e quedo-me aqui …errante … sem rumo… sem rota marcada…
pintando uma tela… um quadro de vida… partindo do nada…

do livro em branco… da névoa… da bruma… construo o poema…
e vou crescendo… olhando p’ra mim… sem mágoa… sem pena...
olhando p’ra mim…
sem mágoa… sem pena…
***

segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Mãos vazias...

...
Para que servem as mãos
Senão para afagar…
Para apertar outras mãos
E fazer sentir a força…
Para que servem mãos caídas…
Inertes… sem vida…
Alongadas em descanso…
Mãos desistentes da sua missão…
Vazias… sozinhas…
Que se apertam a si mesmas
Na ânsia do conforto
De outras mãos…

Para que servem as mãos…
Carentes de vida…
Nervosas… trementes…
Lindas como todas as mãos…
Mais belas ainda…
Desesperadas…
Desamparadas…
Que se apertam sofregamente…
Cheias de nada…
Nada… feito desejo…
Nada… feito vontade…
Vontade de outras mãos…

Tão belas…
Tão cheias de nada…
...

quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Viagem...


Pulsa nas veias o fluido da vida…
Corre incansável sem perder o rumo…
Alimenta sonhos, em forte batida…
Corre por emaranhados caminhos de aprumo…

Ofereço-lhe desvairada um pequeno atalho…
E brota em ondas de rubra cor…
Mancha de vida o branco soalho…
Desabrocha em manto… roseira em flor…

Rubro ópio de vida…
Não há outra cor em mim…
Apenas negra ausência sentida…
Ou alva totalidade que espelha o fim…

Entre o negro sentido e o branco em calma…
Morosa gradação do tudo e do nada…
No cinza perfeito que me envolve a alma…
No tudo envolto em mantos de nada…

Pulsa nas veias o fluido da vida…
Corre incansável em brando afluir…
Alimenta sonhos, em forte batida…
Até… por fim… se cansar… ou eu desistir de o seguir…·

quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Loucura...


Porque não voa o tempo para o infinito
Porque não cai a luz num poço de escuro desdém
Porque não morre sem leito o sentimento ferido
Deixem-me beber a minha solidão

Porque se cala este grito tremendo de medo
Porque não solta a voz para dizer do amor
Porque não acorda o mundo para esta loucura
Deixem-me beber a minha solidão

Porque continuam a querer de mim o que não tenho
Porque não vêem vocês que morri
Porque não entendem que aqui jaz aquilo que já fui
Deixem-me beber a minha solidão

Tenho sede de escuro silêncio
Tenho sede de olhos parados
Tenho sede do desprezo do mundo
Deixem-me beber a minha solidão

E… se um dia de novo acordar…
que seja para mais amar…
quem ainda me segura a mão…

quinta-feira, 16 de Abril de 2009


Só… no vazio… vagueio sem rede…
Passos trémulos… cansaço… sede…
Esperança da flor do deserto em renovo…

Olhos parados no tempo e no espaço …
Afogo bem preso no seio, ao regaço…
Dobrando em silêncio o corpo corcovo…


Alma ausente do corpo…esquecida…
Inóspito ser sem sopro de vida…
Partícula gélida… Mumificada…

Insânia de quem se duplica no mundo…
Reflexos crescidos… um nada… no fundo…
Arte de viver o tudo no nada…


Dissonante do som das palavras talhadas…
Poema que foge das normas ditadas…

Das leis… das regras que regem o jogo…
Sem explicações… sem nada querer…
Sombras… palavras sem som… por dizer…
Boca em brasa… corpo afogado em fogo…

domingo, 22 de Março de 2009